Invasores extraterrestres? É o que o protagonista Jack Harper (Tom Cruise) nos conta na narração em off. Pouca coisa diz - por motivos de segurança teve parte de sua memória apagada -, mas nos conta que a Terra foi devastada por uma guerra. Invasores alienígenas penetraram em nossa atmosfera e causaram a discórdia. E para os humanos ganharem a guerra tiveram que ser usadas como defesa ogivas nucleares, explica Jack. Bom, os humanos venceram, porém teve a consequência: nada resta, a não ser a água do mar. Ruínas remontam as paisagens que outrora abrangia colunas verticais de concreto em escala abundante. Para esgotar-se com os recursos e abandonar de vez a Terra, hidroplataformas foram criadas para transformarem a água em energia. O que prende Jack então é a missão que fora designado: consertar os drones (maquinários protetores das hidroplataformas) que por vezes são abalados por resquícios dos invasores (chamados de saqueadores). Morando com sua companheira e auxiliar de tarefas, Victoria (Andrea Riseborough), o filme começa faltando apenas duas semanas para o casal concluir sua missão e ambos partirem para Titã (Lua de Saturno). Basicamente é essa a trama de Oblivion, história em quadrinhos de mesmo nome criada, em 2005, por Joseph Kosinski e Arvid Nelson.
Joseph Kosinski adapta sua criação ao cinema, onde além de roteirizar, ao lado de Karl Gajdusek (do horroroso Reféns) e Michael Arndt (do ótimo Pequena Miss Sunshine), dirige e produz. Formado em Arquitetura pela Universidade de Columbia, Kosinski começou a dirigir comerciais arquitetais para games. Após fazer um curta-metragem teste em 2008 sobre a continuação de Tron, a Disney gostou do resultado e o chamou para efetivar a direção da sequência. Apesar de não cumprir com as expectativas, agora com Oblivion entra de vez no mundo cinematográfico hollywoodiano, infelizmente, com mais um filme ambicioso e de grande orçamento. Pouco sabe de direção de longa-metragem, porém parece que o arquiteto rende uma boa grana aos produtores (e isso, hoje em dia, já é o suficiente).
Não há de se negar que o início de Oblivion é interessante. Instigando uma curiosidade no espectador logo de cara, a história se desenvolve no primeiro ato de maneira a criar expectativas, pois promete, de fato, ser épico (no sentido de ser marcante, inovador). O desenrolar do filme não é se não um amontoado de boas referências, mas sem um vigor particular, único e corajoso (como história). Se por um lado o roteiro e montagem dialogam pouco em questão de ponto de interesse e ritmo, respectivamente, as imagens belíssimas e bem arquitetadas de uma Terra pós-apocalíptica podem compensar. Passando-se no ano de 2077, a fotografia executada pelo Claudio Miranda (mesmo fotógrafo de Tron: O Legado e recente ganhador do Oscar por As Aventuras de Pi) e os efeitos visuais supervisionado por Eric Barba (Millennium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, O Curioso Caso de Benjamin Button) executam bem a criação desse universo, onde, aparentemente, não há vida, apenas vazio. Aí existe o contraponto super interessante, o qual Jack tenta achar algo que dê certa energia e esperança para esse lugar que até evoca nele certo saudosismo.
Como bom arquiteto que é, Kosinski chama as melhores equipes desgin de produção (utilitários e maquinários tecnológicos) e direção de arte (como as roupas usadas pelos personagens) que cumprem com competência seus trabalhos. Mas se só o visual contasse, ao final da projeção, Oblivion cumpriria todas expectativas. Kosinski, especialista em computação gráfica e CGI, constrói, de maneira elogiosa, a casa onde Jack e Victoria residem. Bastante futurista, as telas de alta tecnologia nos fazem viajar pra'quele mundo, a qual é interrompida durante o percusso quando a falta de carisma e postura dos atores incomodam profundamente e nos distancia de suas histórias. De fato, parece-me que até neste aspecto o diretor, ainda, erra a mão. As tomadas e captação de posicionamento dos atores também soam comuns. É um pecado desperdiçar talentos como os coadjuvantes Morgan Freeman e Nikolaj Coster-Waldau que são subaproveitados na própria subtrama deles. Sem falar na atuação insossa e desastrosa de Olga Kurylenko.
Há de se notar, então, que Tom Cruise está mais uma vez no piloto automático, tentando aproveitar o quanto pode, realizando quase que propositalmente o mesmo tipo de filme antes de ficar, de fato, velho. Para quem gosta, o ator realiza a atuação de sempre: os mesmos olhares e trejeitos, bom samaritano, bonitão e um herói eficiente. Kosinski nisso não atrapalha, e na verdade até ajuda nas cenas de ação - as quais executa de maneira eficaz.
Como em Tron: O Legado, o resultado é um filme de visual impecável, de boa intenção, de execução de roteiro médio e uma direção que deixa a desejar. A narrativa fragmentada e bastante explicativa guarda várias surpresas. Resta saber se você vai se surpreender com elas.
Ficha técnica
Diretor: Joseph Kosinski
Roteiro: Joseph Kosinski, Karl Gajdusek e Michael Arndt
Elenco: Tom Cruise, Andrea Riseborough, Olga Kurylenko, Morgan Freeman, Melissa Leo, Nikolaj Coster-Waldau e Zoe Bell
Produção: Joseph Kosinski, Duncan Henderson, Dylan Clark, Peter Chernin e Barry Levine
Distribuidora: Universal Pictures
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