Vencedor de três prêmios no Berlin International Film Festival 2012, inclusive o Urso de Prata, Apenas o Vento é baseado numa história real, com roteiro e direção de Benedek Fliegauf, e retrata o período entre 2008 e 2009, quando houveram mortes brutais contra ciganos na comunidade de Romani, na Hungria. Num estilo quase que documental, o diretor expressa muito realismo com apenas luzes do ambiente e câmera na mão o tempo todo.
Ao acompanharmos durante um dia a vida de uma família da comunidade, vemos que descobrir a identidade dos assassinos supostamente racistas não vai ser uma coisa fácil. Mari (Katalin Toldi), a mãe, mora com seu pai inválido e dois filhos, Anna (Gyöngyi Lendvai) e Rió (Lajos Sárkány). Enquanto a filha se ocupa com coisas da escola e sua vida rotineira, Rió já demonstra estar preocupado com as atrocidades ali cometidas e não dá a mínima para vida escolar. Mari, uma mulher batalhadora que trabalha em dois empregos, faz de tudo para juntar dinheiro e ir morar junto aos seus filhos no Canadá onde está seu esposo. Benedek não nos poupa ao mostrar como a tecnologia e a globalização têm alcance e estão presentes na vida da humilde família. Em uma passagem do filme, Anna utiliza o Skype para se comunicar com seu pai (Gergely Kaszás) e mostra a esperança que tem de sair de lá.
A história por si só é arrepiante, não se sabe se a família será dizimada completamente pelos assassinos. Benedek acrescenta uma atmosfera de medo e paranoia com uma edição precisa, além de contar com atores inexperientes que só adicionam realismo. O roteiro carrega uma crítica social forte onde os crimes são negligenciados pela própria polícia local que parece ter outros objetivos em mente. E nisso chegamos a uma conclusão do que o filme trata: será mesmo que os ciganos que vivem naquela comunidade rural e sem condições financeiras suficientes têm alguma saída? Qual é a solução? Teria uma solução?
As cenas finais são carregadas por um clima de melancolia e incômodo que nos envolve totalmente de uma maneira tão sutil, parecendo que a gente fica preso na história para sempre.
- Filme visto no Festival INDIE 2012 em São Paulo, exibido no CineSESC e Cine Olido.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
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